TUDO QUE A BOCA COME...


DE OUTRO MUNDO...

Outro dia estava falando sobre cinema quando fiz a seguinte afirmação: “odeio filmes de aliens!”

 

A pessoa que estava do meu lado emendou estupefata: “você não gosta dos filmes do Woody Allen???”

 

Como dizia meu professor de geografia do colégio, no início dos saudosos anos 90, não confunda barra funda com faca na bunda...

 

 

 

 

Na verdade há uns dois anos não vejo nada do Nova Iorquino que parece um irmãozinho mirrado do Costinha. Já vi muita coisa dele e acho seus filmes polarizantes... são muito bacanas ou muito chatos! Mas a maioria se encaixa na primeira opção.

 

Um dos que mais gostei foi “Trapaceiros” (Small Time Croocks, 2000), dirigido e estrelado pelo Diretor-Ator. O filme é sobre um casal que quer ficar rico de qualquer forma e resolve alugar uma casa vizinha a um banco.

 

O plano é simples: abrir uma loja de cookies como fachada e cavar um túnel até o cofre do banco. O problema é que os cookies ficam conhecidos como os melhores de NY e a lojinha fica bombando o dia inteiro! Vale a pena alugar para dar umas risadas...

 

 

 

 

Provavelmente os ladrões do BC de Fortaleza se inspiraram no Alien, quer dizer, Allen em seus planos. Só não esperavam que o roubo deles faria tanto sucesso quanto os cookies dos Trapaceiros... tem até outros ladrões correndo atrás deles. Como diria o mesmo professor de Geografia, que adorava um clichet: ladrão que rouba ladrão... 

 

por: Ricardo – depois de um logo e tenebroso inverno



Escrito por TUDO QUE A BOCA COME... às 00h36
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FIQUE DESPERTO...

Existe coisa mais irritante que despertador tocando no seu ouvido em uma Segunda-feira chuvosa? Você lá embaixo das cobertas, sonhando com o final de semana que passou, com aquele sorriso hollywoodiano no rosto... E o maldito despertador te dá aquele puta susto! Pelo barulho e por te trazer de volta à realidade: vai trabalhar vagabundo!

Você até tenta viver na mentira por alguns minutos: "vou apertar o snooze e aproveitaaar a cama!" - Aí, nem bem você pisca, o desgraçado já está novamente se esganiçando e te mandando sair da cama...

Pois acho que além do snooze, o rádio relógio deveria ter outras funções para controlar o despertador:

- ‘Vai tomar no cu’: essa função permite que a pessoa durma até os olhos abrirem sozinhos, sem intervenções sonoras desagradáveis;

- ‘Foda-se’: essa, além de deixar a pessoa dormir até acordar descansada, envia automaticamente um e-mail previamente padronizado para seu chefe dizendo que por conta das dores que você está sentindo nas joanetes, não poderá trabalhar;

- ‘Porra, seja mais delicado’: ao apertar este botão, o despertador faz com que sua mãe seja teletransportada até sua casa para te acordar com cafuné e café da manhã na cama;

- ‘Filho da puta’: essa função substitui o snooze ou soneca atual – "ok seu filho da puta, me dá mais 10 minutos que eu levanto";

É como diz o Jorge Ben: "não venha me dizer que esse amor é como um sonho, pois os sonhos acabam de manhã e eu tenho que acordar pra trabalhar..."

 

O álbum de 1970

O disco do Jorge é homônimo à música: Força Bruta. Só pode ser encontrado nos sebos e em vinil... ainda não tiveram a decência de lançar uma coleção em CD com a fase boa dos anos 60 e 70 do Babulina.

E dá mesmo para fazer uma analogia do nome da música do Jorge com o aparelhinho que te tira da cama todos os dias: DESPERTA (A) DOR!!!

por: Ricardo



Escrito por TUDO QUE A BOCA COME... às 18h15
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O Tudo que a Boca Come acaba de ganhar duas mascotes:

 

 

 Gal & Bethânia em momento relax

 

 

Aaaauuuuuuuuuu!!! Agora só faltam Gil & Caetano para completar os Doces Bárbaros...

 



Escrito por TUDO QUE A BOCA COME... às 23h46
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FEBRE DE BOLA...

Nick Hornby. O autor que caiu nas graças do Público com “Alta Fidelidade”, um típico caso de livro-que-virou-filme. Um fanático por futebol. Não, na verdade ele é fanático pelo Arsenal, time da zona norte de Londres.

 

Em Febre de Bola (Fever Pitch, o título original), Nick conta sua doentia relação com o Arsenal, acreditando piamente que sua vida profissional e amorosa tem estreita relação com a performance da equipe. Quando o Arsenal vai bem, seus namoros vão de vento em popa, e as promoções não demoram a chegar no trabalho. Quando o Arsenal vai mal, tudo parece ruir.

 

 

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Segundo Nick, a pior coisa que alguém pode dizer a um torcedor arrasado é:  “Mas é apenas um jogo...”  Essa frase é como um soco no seu estômago.

 

Nick Hornby é, enfim, um louco. Mas é um louco bem simpático, devo admitir.

 

No livro, ele desenvolve duas teorias muito interessantes para justificar seu fanatismo:

 

1 - A alegria de uma grande conquista supera a dor de todas as derrotas.  Só assim se explica porque um fanático continua assistindo ao futebol depois de uma derrota que quase o levou ao hara-kiri.

 

2 - O fanático é viciado na sua imagem de fanático. Tem uma carência afetiva ligada a ela. Segundo Nick, todo mundo sabe que ele é fanático pelo Arsenal. Então, qualquer um que ouça, leia ou veja algo relacionado ao Arsenal, em qualquer lugar do mundo, imediatamente lembra-se dele. O fanático é, antes de tudo, um egocêntrico...

 

Se você é um fanático como o autor, ou conhece algum fanático como ele, vai se divertir com o livro.  É uma prosa rápida, com o típico humor cínico inglês.

 

Eu, um fanático são-paulino, adorei.

 

por: Rodrigo



Escrito por TUDO QUE A BOCA COME... às 20h20
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FIGURA DE LINGUAGEM... PEGOU?

Hoje foi aniversário da minha hermana! Algumas pessoas amam fazer aniversário... ficam super chateadas quando os amigos não ligam para ‘desejar felicidades’! Outras odeiam! Percebem que o tempo está passando rápido demais...

 

Gosto bastante de fazer aniversário! Não curto grandes festas, mas gosto de reunir os melhores amigos... de preferência na praia ou no interior – fora da são selva de pedra paulo – para aqueles clássicos churraves. (churrasco que dura o final de semana inteiro, com direito a muito Jorge Ben das antigas, Cartola, Gil, Tim, etc, etc, etc...). Sempre levo a Januária para esses encontros!

 

 

 

 

Tem apenas uma coisa que acho muito idiota em aniversários: o parabéns pra você! Para nivelar meu palavreado à cerimônia em que a musiquinha é cantada, acho muito bocoió!

 

O comecinho da letra até que vai bem:

 

Parabéns pra você

Nessa data querida

Muitas felicidades

Muitos anos de vida

 

Deveria parar por aí... estaria ótimo! Mas a música insiste em ir adiante:

 

É pique, é pique

É pique, é pique é pique (O QUE É PIQUE??? E POR QUE TANTOS PIQUES???)

 

É hora, é hora

É hora, é hora, é hora (VAI NASCER???)

 

E a melhor parte! A grande onomatopéia:

 

Rá, tim, bum...

Fulano, Fulano!!

 

Cara, rá, tim, bum é demais!!! Você já parou para pensar nisso?

 

E rufem os tambores!

 

 

 

 

RÁ TIM BUM!

 

 

por: Ricardo



Escrito por TUDO QUE A BOCA COME... às 23h51
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OPRESSÃO...

Acabo de sair de uma reunião muito chata. Trabalhar no mundinho business, muitas vezes enche o saco. Durante a reunião tive uma vontade violenta de voltar a ser adolescente!

Havia uma diretora de marketing argentina ao meu lado "hablando miles de boludeces"! Eu, com aquela cara de conteúdo, apenas balançando a cabeça: às vezes sim, sim, sim, outras não, não, não. Fiz também várias daquelas inclinações que expressam um 'talvez, quem sabe'!

 

"Acontece que odeio tudo o que oprime o homem, inclusive a gravata." (Vinícius de Moraes)

 

Em algum momento da reunião fui dar aquela coçadinha e reparei (embaixo da mesa) que a moça estava sem os sapatos, roçando um pé no outro. Tive que segurar a vontade de rir das frieiras portenhas...

Mas o fato é que nesse momento me bateu um grande saudosismo. Fiquei imaginando como seria bacana abaixar disfarçadamente, surrupiar um dos pés do sapato da moça e botar na minha mala! Dar um sumiço no sapato!

Aí toda a estratégia de marketing e distribuição se esvaiu da minha cabeça! Tudo que eu conseguia imaginar era que tipo de sacanagem eu faria com cada uma das pessoas que estavam naquela sala de reunião. Queria transformar a sala de reunião em uma sala de aula sem professora!

Imagina que tesão colocar um post-it dizendo "chute-me" (e bater o tiro de meta) nas costas do diretor de ‘supply chain’.

Tirar a carga da caneta bic, fazer uma bolinha de papel bem molhada de cuspe, e acertar a cara da financeira que estava lá mordendo a borda do copinho de café vazio!

E o melhor de tudo: levantar da minha cadeira, ir até o diretor de marketing (meu chefe), e dar um telefone sem fio (aquele tapão nas orelhas) seguido da seguinte exclamação: pára de falar merda porra! (com o apoio de todos que gritariam freneticamente: é isso aí, cala a boca e pára de falar merda!!!)

A reunião acabou e eu nem vi direito o que aconteceu! Provavelmente terei um monte de "to dos" (argh!) para amanhã... Só sei que os devaneios fizeram meu dia valer!!!!!!!

Foi mais gostoso que ficar imaginando o que eu faria com o prêmio acumulado da mega sena!!!!

por: Ricardo



Escrito por TUDO QUE A BOCA COME... às 15h38
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O COMPLEXO DE PORTNOY...

Escrito em 1969 pelo incrível romancista Philip Roth, esse livro já é um pequeno clássico da literatura americana.

 

 

 

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Já começa pegando o leitor pelo pescoço, no estilo "A Metamorfose", quando o narrador Alexander Portnoy diz mais ou menos o seguinte, deitado no divã de um psicanalista: "Todos os meus problemas sexuais são culpa da minha mãe!". De família judia como o autor, o personagem descreve seus pais possessivos e o peso de sua herança judia, suas milhões de masturbações adolescentes e seus casos amorosos. Enquanto explica seus problemas, também diverte com sua autocrítica ácida e confusa, porém honesta.

 

Daqueles livros pra dar gargalhada sozinho. Curtinho e inesquecível.

 

por: Rodrigo



Escrito por TUDO QUE A BOCA COME... às 21h23
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CURTIS MAYFIELD...

Não achei nada dele pra comprar na internet. Mas se você não conhece Curtis Mayfield, corra pra procurar. Ligue pr’aquele amigo que gasta o salário em CDs (ou em gadgets cibernético-musicais) e pergunte se ele tem. Talvez seja o caso de apelar pra Benedixto.  

 

Curtis Mayfield, que explodiu em 1972 - fazendo a trilha sonora do filme Superfly - é um mago do swing, um deus do soul. Tenho que confessar, conheci Curtis Mayfield há quase um ano, em Barcelona, na casa de um amigo, ouvindo uma compilação já bem gasta pelo tempo. Nooooosssa! Sonzeira sensacional, black music de primeira. Ótima pra se ouvir num churrasco, ou num esquenta, porque de repente está todo mundo sacudindo o corpo no ritmo do som. E a voz dele é um espetáculo à parte. Suave, muitas vezes feminina, um veludo pros ouvidos.

 

Um ano é muito pouco pra que eu possa indicar discografia, contar histórias e tal. E olha que eu nem gosto muito de compilação, porque se perdem as intenções do músico e do produtor, mas é o que eu tenho. Dá pra passar ótimos momentos ouvindo canções como "Move on Up", "Pusherman", "Superfly", "Freddie’s Dead" (os Racionais MCs samplearam essa música em "Mano na porta do bar"), entre outras.

 

 

Superfly, de 1972

 

 

Ah, a música.  Uma descoberta dessas de vez em quando é o suficiente pra me deixar feliz, e relembrar que a música é a arte suprema.

 

por: Rodrigo



Escrito por TUDO QUE A BOCA COME... às 00h01
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BADECO...

Alternando sentimentos de admiração e raiva, a famosa dualidade, acabo de ler “O violão vadio de Baden Powell”.

 

 

 

 

Minha admiração pela obra de Baden é muito grande... A primeira vez que ouvi um disco seu, achei que havia uns 3 violões tocando de uma só vez! Foi o “Ao vivo no Jazz Club”, onde ele toca uma versão de Asa Branca que parece piada. É de ficar embasbacado...

 

Mas bateu uma certa raiva de ver como o violonista tinha um impulso autodestrutivo meio violento. Em seus picos, chegou a tomar quatro (isso, 4) garrafas de whisky e fumar cinco (é, 5) maços de cigarro por dia. O alcoolismo é realmente trash... Fazia o tímido e recatado Baden até a bater em algumas namoradas...

 

Baden gravava discos a torto e a direito... Era tipo uma puta veia... França, Alemanha, Brasil, USA, Japão. Onde oferecessem um cachê bacana, lá estava Baden para gravar. Gravava discos em algumas horas de estúdio, no improviso, coisa que poucos artistas poderiam fazer. Isso tinha seu virtuosismo, mas fez também com que Baden não tivesse muitos discos com um conceito. Na maioria das vezes ele saia tocando. Apesar disso, o resultado era quase sempre bom, pois cada interpretação de Baden para uma mesma música pode ser completamente diferente de outra!

 

Mas o bom era quando Baden tinha um conceito para compor novas músicas, um novo parceiro e muitas garrafas de whisky a sua disposição. Aí saiam obras primas como a parceria com o poetinha:

 

 

 

(continua no post abaixo)



Escrito por TUDO QUE A BOCA COME... às 23h15
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A grande influência para as composições de Baden para os Afro Sambas (1966) foi sua aproximação às religiões Afros, ao batuque e as cantigas de Capoeira, apresentadas a ele com maior profundidade por Mestre Canjiquinha, uma das grandes lendas da Capoeira Baiana.

 

 

Canjiquinha

 

 

As músicas de Baden letradas por Vinícius, foram compostas entre 62 e 65 regadas a muito “cachorro engarrafado” como o poeta denominava o amigo whisky, e têm uma grande importância para a música brasileira. É uma linda forma de reconhecimento de nossas raízes culturais, do som dos Atabaques, dos Agogôs, das respostas aos Coros das músicas do Batuque (uma luta anterior à Capoeira), e dos pontos de Candomblé e Umbanda.

 

Se você está a fim de conhecer um pouco dessas raízes, um ótimo disco – produzido pela Bethânia – é “Vozes da Purificação” de Dona Edith do Prato, de Santo Amaro da Purificação. O disco conta com a participação da produtora e de seu mano Caetano!

 

 

 

Clique aqui para comprar o disco

 

 

Saravá Baden! Saravá Canjiquinha! Saravá Vina! Saravá Dona Edith!

 

Saravá Dominique Dreyfus, a francesinha que colocou a vida de Baden no papel!

 

Saravá! 

 

por: Ricardo



Escrito por TUDO QUE A BOCA COME... às 23h14
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PARTICÍPIO E GERÚNDIO...

Em 1975, com a morte do ditador Francisco Franco, a Espanha entrou numa fase de transição para a democracia.

 

Ao Rei Juan Carlos II foi dada a prerrogativa de escolher uma parte do Senado. Ele decidiu-se por um grupo de notáveis espanhóis, dentre os quais estava o escritor, futuro Nobel, Camilo José Cela.

 

Cela, cuja tarefa mais importante foi ajudar na redação da carta constituinte, aborrecia-se com facilidade nas sessões no plenário.

Certa vez foi pilhado dormindo durante uma sessão, e o orador chamou sua atenção, num diálogo fantástico, mais ou menos assim:

 

- Señor Cela, Usted se ha quedado dormido.

- Perdona, pero yo me he quedado durmiendo.

- Si, Señor Cela, pero dormido, durmiendo, es lo mismo !

- Perdona, pero más una vez no... Estar dormido no és el mismo que estar durmiendo, como tampoco estar jodido és el mismo que estar jodiendo!

 

 

 

 

Acima, o escritor com o Rei Juan Carlos II.

 

por: Rodrigo



Escrito por TUDO QUE A BOCA COME... às 22h22
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RELATIVIDADE...

Outro dia estava conversando com uma amiga holandesa e ela me pediu dicas sobre literatura brasileira. Queria ler algo que falasse sobre a cultura brasileira, que fosse simples de ler (pelo português) e, principalmente, que fosse uma obra recente!

 

Disse a ela que se quisesse algo com a parte histórica e sociológica mais forte, deveria tentar Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda ou Casa Grande & Senzala de Gilberto Freyre.

 

 

       

 

 

Após as dicas, seguiu-se o seguinte diálogo: 

 

Eu: “o português não é tão simples e, além disso, os dois livros foram escritos na década de 30 - não são livros novos.”

 

Ela: “mas década de 30 de que século?”

 

Eu: “ué! 1930!”

 

Ela: “1930? Mas isso é muito novo! Para mim uma coisa antiga é de 1700 ou até 1800...”

 

(sic!)

 

Bueno, deixando as diferenças entre Velho e Novo Continentes para lá, ela acabou gostando mais das descrições que fiz sobre os livros do Jorge Amado, uma vez que é apaixonada por Capoeira e estuda línguas africanas na Universidade em Rotterdam...

 

 

 

        

 

 

       

 

 

Boa leitura!

 

por: Ricardo



Escrito por TUDO QUE A BOCA COME... às 23h51
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A PIRATARIA (ÀS VEZES) VALE A PENA...

Sou contra a pirataria e sou muito contra os lucros abusivos que as gravadoras aplicam sobre os discos que distribuem.

Até que eu me decida a qual das duas práticas sou mais contra, comecei a comprar todos os discos de Jazz que possuo em uma tenda na feirinha da Benedito Calixto aqui em São Paulo. Todos eles genuinamente falsificados.

Afinal de contas 99% destes discos são importados e as gravadoras não empregam o povo brasileiro. Além disso, um disco original destes custa entre R$ 50 e R$ 100... infelizmente não estou em condições de gastar tanta grana em um disco, apesar de muitos deles efetivamente valerem o preço – se a grana fosse para os artistas e não para as gravadoras. Mas acima de tudo é uma questão de acessibilidade.

O fato é que a decisão de seguir a ‘seita’ da pirataria fez com que eu pudesse conhecer muitos discos e músicos absolutamente incríveis por quatro razões:

1 – Como já comentei antes, acessibilidade...

2 – Ao começar a buscar algumas raridades de Jazz ou Instrumental, há uma porrada de coisas que não foram lançadas em CD – e nessa barraquinha o cara passou para CDs uma porrada de coisas que ele tem em vinil;

3 – O cara é realmente profissa... faz algumas viagens por ano para ‘coletar’ seu material de trabalho. Portanto, mesmo que eu quisesse a obra original, provavelmente não a encontraria no Brasil;

4 – Last but not least, o cara é uma puta enciclopédia sobre Jazz... você pode fazer qualquer pergunta: quem foi o cara que tocou cítara na terceira música do disco do Zé Bedeu em 1963? O cara sabe... assim, fazer compras com ele é um grande barato... conversar com gente que sabe muito sobre algo que você está aprendendo é uma grande viagem...

Bom, mas indo ao assunto que realmente interessa, estes são alguns discos muito bacanas para quem está a fim de começar a ouvir Jazz:

 

Miles Davis - Kind Of Blue

Gravado em 1959, ressalta a grande capacidade que Miles (trompete) tinha de escolher os músicos que tocavam em sua banda, entre eles Coltrane no sax e Bill Evans no piano. É um disco bem calminho... é considerado pela crítica o disco que todos deveriam ter, até quem não ouve Jazz!

 

John Coltrane – A Love Supreme 

Puta disco... gravado em 1965. Como o próprio nome indica é uma trilha sonora perfeita ‘para o amor’!!! O disco foi idealizado por Coltrane logo após Ter saído de um período de depressão. É um disco de ressurreição. Conta com McCoy Tyner no piano.

 

Duke Ellington & Jonh Coltrane 

É um disco muito sensível e delicado. Uma das coisas mais bacanas é ouvir o piano de Duke Ellington fazendo uma melodia e logo depois ouvir o sax de Coltrane respondendo na mesma melodia... é um Jazz ‘certinho’, mas muito bonito. Foi gravado em 1962.

 

Herbie Hancock – HeadHunters 

"Esse som é pra tocar nas gafieiras requintadas da zona norte" como dizem Gil & Jorge na música Jurubeba. Lançado em 1973, é um puta disco de Funk. É uma barulheira maravilhosa que faz o corpo querer sair dançando freneticamente...

Isso tudo eu fui conhecer graças à pirataria. Mas confesso: acabei posteriormente comprando todos os originais destes discos... vale pelos encartes brilhantes!!!

por: Ricardo 



Escrito por TUDO QUE A BOCA COME... às 15h57
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COMO JÁ DIZIA O VELHO FILÓSOFO...

O especialista é aquele cara que sabe cada vez mais sobre cada vez menos. Até que um dia ele saberá tudo sobre o nada!

 

 

 

Acho que as Universidades que oferecem mil tipos de cursos de Especialização poderiam começar a oferecer cursos de Generalização para abrir um pouco a cabeça de algumas pessoas! Sem querer generalizar...

por: Ricardo



Escrito por TUDO QUE A BOCA COME... às 16h13
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DONA MARIA...

O tempo é algo extraordinário. Às vezes cinco minutos parecem uma eternidade e alguns anos passam em cinco minutos.

Para mim, a forma mais interessante de sentir o tempo passar é através de nossos gostos! No ano passado, por exemplo, comecei a sentir um prazer imenso em tomar uma sopa bem quente em dias frios. Isso porque até pouco tempo atrás eu era um ‘copy & paste’ da Mafalda:

 

 

Mas o que me fez pensar sobre isso foi a notícia de que a Bethânia está completando 40 anos de carreira! Me lembrei de que quando era criança minha mãe ouvia alguma fita da Bethânia no carro e aquilo me desesperava: "Mãe, que música de velho! Tira essa fita e coloca aí a minha dos Inimigos do Rei!!! "Adelaaaide..."

É... (ainda bem que) o tempo passa! Acho que fui a uns 150 shows nos últimos anos – de Trio Virgulino a Egberto Gismonti solando na OSESP – e o último show da Bethânia, de lançamento do disco Que Falta Você me Faz, está certamente entre os cinco melhores!

 

 

Muita gente gravou as músicas do incomparável Vina. Pouquíssimos conseguiram realmente transmitir a personalidade carnal do poeta como Bethânia faz neste disco.

Ainda bem que o tempo passa e a Anã Paraguaia se escafedeu da minha discoteca!

por: Ricardo



Escrito por TUDO QUE A BOCA COME... às 15h21
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